
Será que o sertanejo sente vergonha de falar como aprendeu com os pais, e por isso fica cheio de rs e ss quando aporta no “Sul”? Se, ao chegar a uma feira, em vez de perguntar o preço do jerimum e da macaxeira, indagar sobre abóbora e mandioca, terá perdido parte de sua origem, ou acrescentado elementos à sua bagagem. Será contrassenso pensar assim? Em Roma como os romanos para poder ser aceito.
Nordestinês, linguagem paralela em literatura de cordel, em momentos nos leva a rir, em outros a questionar e refletir sobre o quanto perdemos quando nos mascaramos ao tentar copiar culturas outras.
Centenas de expressões foram resgatadas por Donzílio e colocadas na linguagem do cordel com a intenção de manter uma pequena parcela dos falares de uma região que aos poucos perde a brejeirice e que não apenas se traja, mas fala como personagem saída de uma novela televisiva. Donzílio lançou mão de recurso que dispensa o uso de dicionário, aliás, Nordestinês é quase um dicionário: ora apresenta a expressão cabocla seguida da “tradução” para a linguagem culta, ora faz o contrário. Com isso o leitor não fica preso a uma fórmula e acaba se divertindo ao se descobrir “pescando” outras expressões.
Formato: 11,5 x 20 em P&B Capa: Policromia com verniz BOPP fosco Autor: Donzílio Luiz de Oliveira Ilustrador: Rômulo Geraldino ISBN: 978-85-62410-68-0 Número de páginas: 130 Gênero: Literatura de cordel
